ENTRE FILMES E LUTAS: FORMAÇÃO AUDIOVISUAL E RESISTÊNCIA NO BREGA-PROTESTO – SEMDESTRUIÇÃO
Palavras-chave:
Cinema e Educação, Formação Audiovisual, Cinema Periférico, Produção de Subjetividade, Resistência PolíticaResumo
Este artigo analisa o videoclipe Brega-Protesto – Sem destruição (2019), realizado no contexto das ações formativas do Coquevídeo, a partir das relações entre cinema, formação e resistência. Produzido no encontro entre jovens do Coquevídeo e moradores de Caranguejo Tabaiares, no Recife, o filme emerge em meio à mobilização contra a remoção de famílias da comunidade e articula produção audiovisual, criação coletiva e luta pelo direito à cidade. A pesquisa mobiliza como corpus o videoclipe, registros audiovisuais e fotográficos do processo de realização, documentos relacionados à trajetória do Coquevídeo e materiais publicados em suas redes sociais. A análise organiza-se em três eixos interseccionados: genealogia, processo-método e análise fílmica. O percurso evidencia que a potência política da obra não se restringe à sua dimensão representacional, mas também se encontra no próprio processo de fazer cinema, compreendido como prática de formação, elaboração coletiva e intervenção. Ao mesmo tempo, a experiência analisada produz deslocamentos nos modos de realização audiovisual, nos sujeitos autorizados a produzir imagens e nas formas de representação dos territórios periféricos. Argumenta-se, assim, que o Brega-Protesto constitui, simultaneamente, uma intervenção no presente e um arquivo das lutas, tensionando as fronteiras entre cinema, educação e ação política.
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