O ASSÉDIO MORAL COMO DISPOSITIVO DE SILENCIAMENTO: O ENSINO DE FILOSOFIA E A REABERTURA DO ESPAÇO DO DISSENSO.
Palavras-chave:
assédio moral; ensino de filosofia; gestão educacional; dissenso; violência institucional.Resumo
Resumo: O presente artigo investiga o fenômeno do assédio moral na educação pública a partir de uma perspectiva filosófica, compreendendo-o não como um desvio pontual ou interpessoal, mas como um dispositivo estrutural associado a determinados modelos de gestão educacional. Sustenta-se a tese de que o assédio moral opera como uma tecnologia de silenciamento do dissenso, incidindo de modo privilegiado sobre o ensino de filosofia, dada sua vocação crítica e reflexiva. Ao tornar visíveis as microviolências cotidianas presentes no ambiente escolar, o professor de filosofia frequentemente se converte em alvo de práticas administrativas que visam neutralizar o debate, o contraditório e a reflexão pública sobre a realidade institucional. A partir do diálogo com autores como Marie-France Hirigoyen, Hannah Arendt, Michel Foucault e Jacques Rancière, o artigo analisa as relações entre violência institucional, gestão autoritária e supressão do espaço público no contexto escolar. Por fim, defende-se que o ensino de filosofia, quando enraizado na experiência concreta do trabalho docente e da sala de aula, constitui não apenas um alvo desses mecanismos, mas também uma potência efetiva de resistência e transformação, capaz de reabrir o espaço do dissenso e da crítica na educação pública.
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