AFETAR-SE PARA RESISTIR: RELATOS SOBRE O ESTÁGIO SUPERVISIONADO I DO CURSO DE FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO
Palavras-chave:
Ensino de Filosofia. Ensino Médio. Afeto.Resumo
O presente artigo apresenta um relato de experiência desenvolvido no âmbito do Estágio Supervisionado I do curso de Licenciatura em Filosofia da Universidade Estadual do Ceará (UECE), realizado na escola EEMTI Dom Aloísio Lorscheider. A experiência do estágio colocou em evidência um campo de tensões entre o desejo de ensinar e as condições concretas de precarização da escola pública, bem como entre a potência formadora do pensamento filosófico e os processos de burocratização do ensino. A análise parte de uma perspectiva qualitativa e crítica, atravessada pela identificação da estagiária com os estudantes, especialmente no que se refere às dificuldades de conciliar trabalho e estudo, e pelo desafio de sustentar uma escuta ética, política e atenta no cotidiano escolar. À luz das contribuições teóricas de Paulo Freire e David Graeber, o artigo discute o papel do ensino de Filosofia no ensino médio como espaço privilegiado para a construção do pensamento crítico e da autonomia intelectual, sem desconsiderar os limites impostos pelas dinâmicas burocráticas institucionais. Defende-se que uma postura docente afetiva, combativa e politicamente implicada é fundamental para evitar que a prática educativa se reduza a automatismos e para sustentar a Filosofia como prática de resistência no interior da escola pública.
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Referências
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
GRAEBER, David. La utopía de las normas: de la tecnología, la estupidez y los secretos placeres de la burocracia. Barcelona: Ariel, 2015.
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